Equipamentos de baixa qualidade podem expor profissionais da saúde ao vírus

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Dados atualizados do Ministério da Saúde na tarde desta segunda-feira (13) mostram que o Brasil registrou, em 24 horas, 105 mortes e 1.261 casos de contaminações pelo novo coronavírus. Com isso, os números sobem para 1.328 óbitos e 23.430 infectados em todo o país, atingindo a letalidade de 5,5%. 

As informações também dão conta de que somente São Paulo já soma mais de 3 mil profissionais de saúde afastados em decorrência da contaminação por covid-19. O número assusta e dá a dimensão da importância do conceito de biossegurança para esses trabalhadores no atual contexto de pandemia.

Segundo Paulo Roberto de Carvalho, professor e pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) não é garantia de que o profissional não será contaminado, caso não sejam utilizados da forma correta. 

“Para a segurança do profissional, os EPIs devem ser consistentes e adequadamente utilizados quando necessário. Devem ser inspecionados, mantidos e substituídos regularmente. Além disso, os EPIs devem ser de qualidade comprovada e certificados para que garantam a segurança do profissional”, afirma Carvalho. 

Nesse sentido, ele destaca, portanto, a “extrema importância” da biossegurança. Mas o que é isso? Ele explica: alguns profissionais sabem dos riscos a que estão expostos, mas de maneira “genérica”, defende o professor, ficando expostos à ação dos contaminantes. 

“O que realmente é necessário para os profissionais de saúde inibir os riscos é reconhecer, identificar, minimizar ou até mesmo eliminar os riscos no ambiente de trabalho. Isso faz parte da biossegurança. Isso é biossegurança. É de suma importância também, para o profissional de saúde, a sua capacitação eficaz”.

De acordo com a definição de biossegurança dada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esse campo de conhecimento se configura como uma “condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”. 

É, portanto, tudo o que envolve o cuidado com o ambiente, profissionais e pacientes, desde a higienização até o descarte correto de ferramentas. Um exemplo do impacto gerado pela ausência de biossegurança foi o acidente com Césio 137, em Goiânia, em 1987, quando um aparelho de radioterapia foi descartado em uma clínica desativada. Oficialmente, o acidente deixou quatro pessoas mortas, mas esse número ainda hoje é discutido.

“A biossegurança, em um mundo globalizado, é um campo de conhecimento importante, cada vez mais necessário para responder a complexidade apresentada, particularmente pelos agentes biológicos, pandemias e até mesmo ações de bioterrorismo, de predação ambiental”, conclui Carvalho. 

FONTE: BRASIL DE FATO
FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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