Bolsonaro executou “estratégia de propagação do vírus” com “empenho e eficiência”, diz estudo

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Pesquisa detalha atuação do Governo Federal durante a pandemia e sustenta a tese de que Bolsonaro é o principal responsável pela maioria das 212 mil mortes provocadas pela Covid-19 no país

Um estudo realizada pelo Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública da USP e pela organização não-governamental Conectas Direitos Humanos aponta que o presidente Jair Bolsonaro promoveu a propagação do novo coronavírus no Brasil com “empenho e a eficiência”.

A pesquisa, revelada nesta quinta-feira (21) pela jornalista Eliane Brum no El País Brasil, faz a afirmação contundente após uma análise de 3.049 normas federais publicadas em 2020.

“Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República”, afirmam os pesquisadores em edição especial do Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasi.

Através de uma linha do tempo, os pesquisadores, coordenados pela jurista Deisy Ventura, desmontam a tese de que o aprofundamento da pandemia seria fruto de “incompetência” e destaca que “a maioria das mortes seriam evitáveis por meio de uma estratégia de contenção da doença, o que constitui uma violação sem precedentes do direito à vida e do direito à saúde dos brasileiros [promovida pelo Governo Federal]”.

“Os resultados afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência de parte do governo federal na gestão da pandemia. Bem ao contrário, a sistematização de dados, ainda que incompletos em razão da falta de espaço na publicação para tantos eventos, revela o empenho e a eficiência da atuação da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo”, analisam.

Impeachment

A publicação, que responsabiliza o Planalto pela mortes, surge em meio ao reaquecimento da pauta do impeachment do presidente, principalmente por conta do novo colapso do sistema de saúde de Manaus, que registrou mortes de pacientes por falta de oxigênio.

Enquanto a população reconhece a responsabilidade de Bolsonaro no atraso das vacinas, a oposição se unemobilizações são convocadas e as buscas sobre impeachment disparam no Google.


FONTE: REVISTA FÓRUM
FOTO: Alan Santos/PR