Com refeições a R$ 1, restaurantes populares se tornam alternativa à crise econômica

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Antes destinados às pessoas em situação de rua, restaurantes passaram a receber trabalhadores da região e desempregados

Os seguidos anos de uma profunda crise política e econômica no Brasil têm cobrado alto da população. A extrema pobreza voltou a aumentar – 13 milhões de pessoas em todo o país sobrevivem com apenas R$ 145 por mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – e o que resta à população é economizar onde for possível, inclusive nas refeições.

Como efeito direto da escalada da miséria, restaurantes populares que servem diariamente refeições por até R$ 1,00 têm recebido cada vez mais pessoas. Espalhados por todo o estado de São Paulo, os restaurantes eram originalmente destinados às pessoas em situação de rua. Hoje, no entanto, também são procurados por moradores da região, pessoas que trabalham no entorno e, principalmente, aqueles que estão à procura de trabalho.

“A crise econômica e a falta de emprego estão trazendo essas pessoas para o restaurante”, conta Enéias Oliveira, gerente do restaurante popular da Lapa, na região oeste da capital paulista. A unidade serve cerca de 1.600 refeições por dia, por R$ 1,00, além de café da manhã, que custa R$ 0,50 centavos.

Uma pesquisa realizada pelo governo do estado de São Paulo, responsável pela gestão das unidades, apontou que 70% dos frequentadores de restaurantes populares afirmaram ter renda de 1/4 de salário até três salários mínimos.

Desemprego e informalidade

O último levantamento realizado pelo IBGE, em 2019, aponta que o desemprego, apesar das quedas nos últimos meses, ainda mantém 12 milhões de pessoas sem renda.

É o caso do operador de empilhadeira Cláudio Leandro Nascibem, que procura uma colocação há quatro meses e sempre que pode faz suas refeições nos restaurantes populares.

“Um restaurante tradicional não daria [para fazer refeição]. Almoço, mas janto em casa, normal. Então, quando a gente está na rua, assim, ou é um bar, uma padaria, comer um lanche, porque gastar R$ 15, R$ 20 fica caro”, afirma.

Outras 24 milhões de pessoas tiveram que migrar para a informalidade, como o entregador de encomendas por aplicativo Fábio Eduardo Guerra, que ganha seu salário de acordo com o número de entregas que fizer durante sua jornada.

“Eu trabalho no aplicativo, de moto, e fico na rua o dia inteiro. Eu venho pela questão do preço e pela higiene. Às vezes você vai comer em um PF [Prato Feito] de R$ 15, mas não tem a mesma higiene daqui”, explica.

Lídia Maria dos Reis é mãe de dois filhos (de 5 e 2 anos). Ela trabalha como controladora de acesso em um turno de 12 horas diárias e vive em uma ocupação na Alameda Nothman, no centro da capital paulista. Lídia revela que tinha receio sobre os frequentadores da unidade que fica no bairro Campos Elíseos, uma das mais importantes da rede, com 1.900 refeições servidas todos os dias.

“Acabei conversando com uma senhora que fazia as refeições aqui e ela me explicou sobre o Bom Prato e eu resolvi experimentar. Ultimamente as minhas refeições são feitas aqui”, conta.

Mesmo sem pagar aluguel, os restaurantes populares são um alento para a renda mensal, que sofre com a crise econômica que acomete o país. “Graças a Deus hoje eu estou trabalhando, eu fiquei um ano parada. Eu comecei a trabalhar quando a minha pequena estava com três meses, até então eu só fazia bico. Mesmo trabalhando e sem pagar aluguel na ocupação, eu acho muito difícil”, relata Lídia

FONTE: BRASIL DE FATO
FOTO:  José Eduardo Bernardes/ Brasil de Fato

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