Oposição reage e diz que vai impedir Bolsonaro de cortar auxílio pela metade

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Parlamentares se manifestaram afirmando que vão lutar contra a medida do presidente que diminui o auxílio para R$ 300

A proposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de reduzir o auxílio emergencial pela metade, de R$ 600 para R$ 300, gerou reação entre políticos de oposição, que prometem derrubar a Medida Provisória (MP) enviada pelo governo nesta terça-feira (1) ao Congresso Nacional.

Ao afirmar que vai lutar contra a medida, a deputada Natália Bonavides (PT-RN), ressaltou que Bolsonaro sempre lutou contra o pagamento emergencial durante a pandemia.

“Bolsonaro nunca quis o valor de R$ 600 para o auxílio emergencial. Agora, no momento em que o país ultrapassa 120 mil mortos e mais de 13 milhões de desempregados, ele quer reduzir o valor do auxílio.”, postou a parlamentar em seu perfil no Twitter.

Contra o argumento de que o valor é alto para um país em dívidas, Guilherme Boulos, do PSOL, fez paralelo com a decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou tribunais regionais comprarem um terço de férias de juízes federais e do trabalho, na segunda´feira (31).

“Todos os juízes do Brasil ganharam ontem o direito de ‘vender’ 1/3 das férias e receberem R$ 45 mil, em vez de R$ 33 mil. Bolsonaro ficou calado”, manifestou-se pela rede social.

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Os deputados Helder Salomão (PT-ES) e Leonardo Monteiro também disseram que vão tentar derrubar a MP no Congresso. “Com Bolsonaro, o pobre não tem vez”, lamentou Helder.

“O povo pede socorro. Lutaremos contra essa decisão desumana!”, prometeu Monteiro.

A deputada Talíria Petrone, (Psol-RJ), questionou: “Como é possível a população mais pobre se sustentar com 300 reais? #600PeloBrasil”.

Marcelo Freixo, do mesmo partido, disse que Bolsonaro só atende a interesses de bancos. “Bolsonaro e o ministro Guedes sempre priorizaram os interesses dos bancos. Eles nunca esconderam que querem pagar pouco aos pobres. Além de desumano, é inconsequente com a economia”.

Líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon engrossou o coro contra o corte de Bolsonaro. “O auxílio emergencial de R$ 600, aprovado pelo Congresso contra a vontade de Bolsonaro, evitou uma catástrofe econômica e humanitária ainda maior no Brasil. E olha que o governo só queria aprovar R$ 200! Continuaremos lutando pelo auxílio de R$ 600!”.

Tramitação

A redução no auxílio emergencial foi enviada ao Congresso como medida provisória. Isso significa que a norma editada por Bolsonaro já passa a valer, com força de lei, mas ainda precisa da apreciação pelas duas Casas do Congresso Nacional, Câmara e Senado, para se tornar definitiva.

O prazo inicial de vigência de MP é de 60 dias e é prorrogado automaticamente por igual período caso não tenha sua votação concluída no Congresso. Se não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, entra em regime de urgência, sendo priorizada sobre todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.

FONTE: BRASIL DE FATO
FOTO: Marcos Santos/USP Imagens