Covid-19 tem 5 milhões de casos, e Pnud prevê queda inédita no IDH do planeta

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Com sistemas de saúde estrangulados, países terão dificuldades de atender portadores de outras doenças. Pandemia afetará mais condições de vida, emprego e renda nos países em desenvolvimento

O mundo já tem 5 milhões de casos confirmados de pessoas infectadas novo coronavírus. De acordo com monitoramento feito pela Universidade Johns Hopkins, instituição privada norte-americana, o contágio de covid-19 na América Latina já é maior do que nos Estados Unidos e Europa. Em função da pandemia, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) já prevê um retrocesso sem precedentes no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta.

O total de mortos já estaria em 328.172, correspondendo a uma taxa média de letalidade de 6,5%. O número de pessoas que se recuperaram da doença é de 1,8 milhão. Os dados divulgados pela universidade são baseados em informações colhidas nos órgãos oficiais dos países.

Brasil deve se aproximar hoje dos 300 mil casos de contágio pelo novo coronavírus, ficando atrás apenas de Estados Unidos (1,6 milhão) e Rússia (309 mil). Próximo dos 20 mil óbitos, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Itália, França e Espanha – os três últimos já com contenção da curva de mortes diárias.

Enquanto na maioria dos estados as autoridades ainda encontram dificuldades para impor um isolamento social monitorado – único meio eficaz de conter a expansão do contágio –, o governo federal segue na contramão. Aposta no contágio como forma de criar “proteção”, adota medidas tímidas para assegurar recursos e renda e insiste no uso de cloroquina com meio de tratamento. Mesmo com todos os alertadas científicos de que o medicamento não tem eficácia comprovada e ainda pode ter efeitos colaterais danosos.

Degradação

O Pnud divulgou ontem (20) projeção de que a pandemia do novo coronavírus – depois de atingir os 5 milhões de casos confirmados – causará um retrocesso global nos níveis de saúde, educação e condições de vida. O recuo universal do IDH em decorrência da covid-19 seria o primeiro em 30 anos, desde que o indicador foi criado, em 1990.

“O mundo passou por muitas crises nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira global de 2007 a 2009. Cada uma delas afetou fortemente o desenvolvimento humano, mas, em geral, os ganhos de desenvolvimento foram acumulados globalmente ano a ano. A covid-19, com seu triplo impacto em saúde, educação e renda, pode mudar essa tendência”, declarou o administrador do Pnud, Achim Steiner, ao comentar as conclusões do estudo. De acordo com a análise, a renda per capita global deve cair 4% em 2020, com elevação dos índices de desemprego e endividamento dos governos. 

Na saúde, o colapso dos sistemas de atendimento em todo o planeta deve ir além de não conseguir dar conta dos infectados pela covid-19. Isso porque pode inviabilizar o também atendimento de outras doenças. E assim eleva os riscos de mortes para outros segmentos da sociedade, mesmo que excluído dos grupos de risco do novo coronavírus.

Em relatório divulgado na última semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 6 mil crianças podem morrer diariamente de causas evitáveis, nos próximos seis meses, em razão do enfraquecimento dos sistemas de saúde pelo mundo causado pelo coronavírus. Segundo o Pnud, a deterioração do IDH será maior nos países pobres e em desenvolvimento.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL
FOTO: Rovena Rosa/ABR

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